Grécia antiga
Civilização de maior influência de
nosso mundo contemporâneo, a Grécia antiga esta presente em nosso cotidiano de
várias formas, na política, em alguns costumes, nas Olimpíadas, etc. O que vou
apresentar aos alunos é uma passagem sobre a formação da pólis e suas
características e a diferença da democracia grega para a democracia nos dias
atuais.
Do século VIII ao século VII A.C., em
algumas regiões da península Balcânica e região, surgiam uma nova ordem política,
jurídica, econômica, religiosa e cultural, que deu condições do aparecimento
das “Cidades- Estados” ou pólis.
Essas modificações faziam parte de um
processo de desagregação da Estrutura Palaciana, onde a aristocracia guerreira,
sustentava um Estado burocrático centralizador e institucionalizado na figura
do WA-NA-KA( Rei). Essas modificações consistiam em:
1-Aumento Populacional: Apareceram,
em certas regiões, sinais evidentes de um aumento de população. Esse aumento
proporcionou o crescimento das áreas urbanas e rurais, já aparecendo uma
rustica agricultura, plantações de oliva e vinhedos, provocando um recuo da
produção pastoril, base da velha aristocracia. Com isso as áreas ocupadas,
tanto urbanas, tanto rurais, aumentaram de forma significativa. Isso permitiu
uma interação sócio-político que ultrapassou a solidariedade familiar, de grupo
ou vizinhança. O crescimento das áreas possibilitou o surgimento da
especialização do trabalho.
2- Inovações técnicas com uso de
metal: O avanço da metalurgia, através
de técnicas de martelamento do ferro em brasa, que tornou esse metal mais resistente. Paralelamente,
desenvolveu-se a olaria pelo aparecimento da roda de oleiro (1) A Iconografia
(2) dos vasos geométricos nos mostra cenas de guerreiros e funerários, nos
quais aparecem armamentos novos. A evolução armamentista chegou também na
construção de barcos de guerra, esse novo barco, o Triere, tinha três níveis de
disposições de remadores, uso da vela móvel, era um meio de transporte rápido e
eficaz. Esses novos barcos provocaram o
aparecimento de carpinteiros, fabricantes de velas, de cordas, marinheiros
especializados.
3- Aparecimento da moeda:
naturalmente a moeda foi aparecendo, isso mudou o sistema de trocas, até então
praticado. Mudou o sistema de valor dos produtos, nas formas de medidas, na
forma de ver a riqueza pessoal. A moeda ao lado da terra atingiu um novo lugar
a partir do governo de Solon*(594/592 A.C.) onde foi usado na divisão das
categorias sociais.
4- Aparecimento do Alfabeto: Mudança
na forma de comunicação, de raciocínio e expressão, embora a oralidade
continuasse bem presente, a escrita assumiu um lugar importante, pois tudo que
era escrito, era lido á sociedade e em voz alta.
5- Formação Hoplítica: O hoplita era
o guerreiro que combatia em fileiras, com disciplina, cobrindo com seu escudo o
peito do guerreiro ao seu lado, não havia lugar para heróis. Armamento eram
espada e escudo redondo com duplo punho. O guerreiro aristocrata combatia com
carros e cavalos e em luta singular.
6- Publicação das Leis: Esse fato permitiu a DÌKE( direito á
justiça), tornar-se um bem público, na forma de princípios e regras gerais
aplicados a todos.
7- Colonização: A colonização
permitiu a conquista de novas terras e o estabelecimento de APOIKÌAS ( colônias
agrárias) , produzindo uma nova representação de espaço, território e limite.
8- Aparecimento da sociedade privada,
as grandes propriedades de terra e a família nuclear: Enquanto a estrutura
palaciana baseou-se, principalmente em propriedades comunais ou coletivas,
KEKEMENA KOTONA, a participação da BASILÈIA (3) no exercício das funções
burocráticas e administrativas fez com que se desenvolvessem no interior da
estrutura palaciana, propriedades privadas KITIMENA KOTONA, que aparecem, com
frequência, nos tabletes em LINEAR B(4).
Todos esses fatores listados
combinaram-se numa forma sócio-política original, chamada pólis.
A Polis
A pólis (cidades- estados) era a
comunidade de cidadãos, em que todos os homens cidadãos se reuniriam visando o
bem da sociedade. A Pólis deu condições de uma nova vida aos seus membros. Ela
foi uma , por si só, é um ser político . A pólis era o Estado de direito (DIKE)
e através dessa DIKE e sua aplicação ficava assegurada a boa ordem (CUNOMÌA). A
pólis foi uma unidade política, jurídica, religiosa, cultural, territorial e
residencial. A Formação da pólis é
datada do período arcaico, também pressente no período clássico e declina no
período helenista. O centro da cidade, onde acontecia fervilhava a politica era
conhecida como ACRÒPOLES.
Período homérico (1.000-700 a.c.):
Principal fonte de pesquisa proveniente dos poemas de Ilíada e Odisséia de
Homero. Esse período é marcado por várias invasões de povos indo-europeus que
mais tarde iriam dar origem ao povo grego. (Aqueus, Jônios , Eólios e Dórios).
1-Aqueus: Chegaram por volta de 2000
a.C. e fundaram a cidade de Micenas, conquistaram os cretenses(Creta) e
assimilaram parte de sua cultura.
2-Jônios: chegaram por volta de 1700
a.C e fundaram Atenas.
3-Eólios: chegaram por volta de
1700ª.C e fundaram Tebas.
4-Dórios: Chegaram por volta de 1200
a.C e fundaram Esparta.
Arcaíco(700- 500 a.c.): Formação
das cidades Estados , cada cidade tinha suas próprias leis, eram independentes
e rivais. Todos que não falavam o grego eram considerados Bárbaros. Nesse
período surgiram os jogos olímpicos como forma de união cultural.
Período de crescimento da civilização
Espartana, fundada pelos Dórios de origem militarista e oligárquica.( classe dominante
, parte minoritária da população). Surgimento da Democracia.
Clássico(500- 436 A.c): Apogeu
grego, grande desenvolvimento econômico e esplendor cultural. Atenas e Esparta como as maiores cidades. Várias
guerras com outros povos e entre si.
Podemos destacar as Guerras Médias e
Peloponeso.
Helenistico(336- 146 a.c): Esgotamento econômico e
social das cidades gregas, ascensão da Macedônia e domínio de Alexandre o
Grande.
Oikos é uma unidade econômica de
consumo e de produção, tem um chefe guerreiro na cabeça e sua família, que
também englobava servos e escravos, seus bens e tudo que poderia possuir. O
trabalho produtivo é realizado pelo escravo, os gregos obtinham escravos
através de saques e pilhagens.
TETA: indivíduo abaixo da hierarquia
social, homem sem posses, sem especialização alguma. Procurava o que fazer em
troca de comida e roupas.
DEMIURGOS: Prestador de serviços a
comunidade, homens livres com alguma especialização. Não possuíam propriedades,
mas dentre os homens livre e pobres, gozavam de uma posição privilegiada.
METECOS: Estrangeiros que viviam em
Atenas, não tinham direitos políticos e estavam proibidos de adquirir terras,
mas podiam dedicar-se ao comércio e artesanato, era obrigado a prestar serviços
militar.
Escravos: maioria da população.
Propriedades de seus senhores, mas com leis que os protegiam de maus tratos.
A política ateniense era movida pelo
poder da monarquia, que ostentou seu poder até o século VIII a.C. , nesse
período o rei acumulava as funções de sacerdote, juiz e chefe militar.
Depois, o poder passou para as mãos
de uma Oligarquia de nobres: o Arcontado, eles comandavam os exércitos, a justiça,
a administração pública, entre outras funções. Quanto mais poder uma pequena
parcela da população possuía, os pequenos proprietários empobreciam e suas
dívidas aumentaram, isso faziam com o que os senhores transforma-se em escravos
esses pequenos proprietários e seus escravos.
Foi necessária uma reforma política e
foi devido a isso que abriu caminho para a criação da democracia.
A democracia ateniense é baseado pelo
princípio da Isonomia: Trata-se de um princípio jurídico que diz que
"todos são iguais perante a lei", independentemente da riqueza ou
prestígio destes. O princípio informa a todos os ramos do direito.
Tal princípio deve ser considerado em
dois aspectos: o da igualdade na lei, a qual é destinada ao legislador, ou ao
próprio Executivo, que, na elaboração das leis, atos normativos, e medidas
provisórias, não poderão fazer nenhuma discriminação. E o da igualdade perante
a lei, que se traduz na exigência de que os Poderes Executivo e Judiciário, na
aplicação da lei, não façam qualquer discriminação.
Diferença entre a democracia grega e
a democracia atual
A democracia é um dos legados
deixados pelos gregos antigos, a palavra democracia é a forma de governo em que
a soberania é exercida pelo povo. A palavra democracia tem origem no grego demokratía
que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder).
O governo pertence ao povo, o mesmo
teria o direito de participar do cenário político e nas decisões de toda a
sociedade.
A visão de cidadão na Grécia é
diferente de nossa sociedade atual. Na Grécia, para ser um cidadão, era
necessário ser do sexo masculino, adulto, em exercício dos deveres militares,
proprietários de terras, nascido na cidade-estado e claro livre.
Escravos não eram considerados
cidadãos, eles faziam todo o trabalho braçal, garantindo o sustento da elite.
Mulheres, adolescentes e crianças também não participavam da vida política,
eram excluídos das decisões políticas. Então, o número de participantes da
democracia grega era bastante reduzido.
A democracia grega era direta, ao
contrário de hoje que é representativa. Na antiguidade, o cidadão era convocado
e comparecia pessoalmente á praça da cidade( Àgora) e ali discutiam e decidiam
o que seria feito em relação a todas as questões da cidade, as vezes um era
convocado para exercer uma função durante um ano , esse cargo era no
equivalente aos dias de hoje ao executivo e judiciário(5). Nas democracias
contemporâneas, as democracias são representativas, o povo elege seus
representantes.
E as semelhanças?
1- Atribuição
de direitos e deveres aos cidadãos.
2- Governo
autônomo, capaz de atuar sem restrições externas.
3- Decisões
baseadas na maioria.
4- Democratas
eleitos pelos cidadãos.
5- Administração
atende a maioria.
Guerra do Peleponeso
A Guerra do Peloponeso( região ao sul
do golfo de Corinto) foi um conflito militar entre as cidades-estado de Atenas
e Esparta. Ocorreu entre os anos de 431 e 404 a.C. Esta guerra foi relatada
detalhadamente por dois historiadores da Grécia Antiga, Xenofonte e Tucídides.
Para compreender melhor esta guerra é
necessário entender as diferenças que existiam entre Esparta e Atenas na
antiguidade. Enquanto Esparta era voltada para o militarismo, Atenas era o
centro político e cultural do período. Esta guerra também envolveu outras
cidades-estado que se alinharam com Atenas ou Esparta.
Causas da guerra:
- Os
espartanos viam com desconfiança e ameaça o desenvolvimento econômico e aumento
da influência política de Atenas na região da península do Peloponeso;
- Relações
tensas entre as duas cidades-estado e disputa pela hegemonia política e
econômica na região.
A Guerra do Peloponeso terminou em
abril de 404 a.C, após a rendição de Atenas e a conquista espartana . Os
espartanos deram suporte a um golpe oligárquico em Atenas, derrubando o sistema
democrático e implantando um sistema de governo autoritário conhecido como
Tirania dos Trinta.
O fim da guerra derrubou o poder de
Atenas na península e resultou na hegemonia política e economia de Esparta na
região, com seu sistema voltado para o fortalecimento militar.
Principais líderes da guerra:
- Liga de Delos: Arquídamo II,
Lisandro e Brásidas- A sede da Liga
ficava na cidade de DELOS, tinha como objetivo proteger de um possível ataque
externo contra a Grécia. As cidades eram independentes , mas Atenas exercia a
liderança militar e com isso a liga foi passando a ser uma confederação de
cidades submetidas ao imperialismo ateniense.
- Liga do Peloponeso: Péricles,
Cléon, Nícias, Alcibíades e Demóstenes- uma aliança política- militar com
Esparta na liderança de um conjunto de cidades como Corinto, Megara e Tebas,
que se opunha ao domínio ateniense.




Já estou lendo, dei até um tempo na regra de 3!
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